A anima e o animus representam as contrapartes femininas e masculinas inconscientes que existem, respectivamente, em cada homem e em cada mulher. Em termos da psicologia de Carl Jung, o animus é a representação da energia masculina na mulher, enquanto a anima é a representação da energia feminina no homem. Para que homens e mulheres alcancem a realização plena, é essencial que aprendam a se relacionar com essas energias interiores.
O Lado Positivo e Negativo da Anima e do Animus
Assim como outros aspectos da psique, anima e animus possuem lados positivos e negativos. Quando essas forças inconscientes atuam de forma negativa, devido à falta de um relacionamento saudável com esses aspectos internos, surgem conflitos internos e externos. Esses conflitos podem se manifestar em problemas de relacionamento e na vida pessoal.
O animus negativo age na mulher como uma “razão inferior”, afastando-a de sua ternura, criatividade e natureza emocional. Em casos de bloqueio, o animus cria uma barreira, limitando a mulher em suas emoções e dificultando o estabelecimento de laços afetivos. Frases como “você deve” e “tem que” são exemplos de uma manifestação do animus negativo na mulher, que assume uma postura autoritária tanto consigo mesma quanto com os outros.
No lado positivo, o animus não atua com rigidez, mas com um propósito: ele se torna uma tocha de fogo que ilumina a consciência da mulher, ajudando-a a expandir sua percepção e autoconhecimento.
Anima e Animus nos Relacionamentos
Em um relacionamento, são as contrapartes inconscientes (anima e animus) que muitas vezes entram em ação. Em casos de conflito, o que ocorre frequentemente é a projeção das partes negativas. Já no apaixonamento, são as partes positivas de anima e animus que se projetam no parceiro. Por isso, o segredo está na maneira como cada indivíduo se relaciona com essas energias internas, seja educando-as ou conversando com elas de maneira respeitosa.
Quando ignoradas ou rejeitadas, essas energias inconscientes mostram seu lado negativo, o que acaba gerando conflitos e desequilíbrios emocionais. Ao contrário, quando bem compreendidas e aceitas, elas se tornam aliadas poderosas.
Como se Formam a Anima e o Animus?
Desde a infância, meninos e meninas começam a formar essas contrapartes internas com base nas relações com figuras do sexo oposto. Meninas, por exemplo, formam o animus através das figuras masculinas em sua vida, como o pai, irmãos, tios e professores. O mesmo ocorre com os meninos, que desenvolvem sua anima com base na mãe e em outras figuras femininas de sua infância.
O animus de uma mulher pode, inclusive, ser influenciado pelo animus de sua mãe. Se uma mãe tem um bom relacionamento com seu próprio animus, é provável que sua filha incorpore essa visão positiva. Por outro lado, se a mãe for autoritária e castradora, isso pode impactar o desenvolvimento do animus na filha.
Projeções e Ilusões: O Papel de Anima e Animus na Paixão
As projeções são parte do processo de interação com anima e animus. Quando supervalorizamos ou desvalorizamos alguém do sexo oposto, muitas vezes estamos projetando qualidades inconscientes dessa energia interna no outro. Essas projeções são comuns no início dos relacionamentos, quando ainda existe o encantamento e o apaixonamento, que nada mais são do que projeções.
Com o tempo, as projeções tendem a cessar e as pessoas começam a ver o parceiro de forma mais realista. É importante lembrar que o conteúdo da projeção vem de dentro de cada pessoa; aquilo que enxergamos no outro é, em grande parte, reflexo do que reside em nossa própria psique.
Conclusão
A anima e o animus, nossos parceiros invisíveis, influenciam profundamente a forma como nos relacionamos com os outros e conosco mesmos. Quando desenvolvidos de forma saudável, esses aspectos se tornam aliados, promovendo autoconhecimento e equilíbrio emocional. O desafio está em cultivar uma relação positiva com essas energias, para que possamos nos beneficiar do potencial transformador que elas possuem.
Referências:
Sanford, J. A. Os parceiros Invisíveis: O masculino e o feminino dentro de cada um de nós. Ed. Paulus.
Chagas, M. I. O., & Campos, T. C. P. Complexo paterno na psique feminina e a sua influência nos relacionamentos heterossexuais: Uma perspectiva da psicologia analítica.
Féller, A. Grupo de estudos em psicologia Junguiana, Guarulhos, 2010-2011.