✨ A arte de cuidar de quem cuida ✨
Ser psicóloga é habitar um território delicado onde a dor e o renascimento caminham lado a lado. É tocar o invisível, dar forma ao indizível e sustentar, com presença e ética, o espaço sagrado da escuta. Mas para que essa escuta permaneça viva, profunda e segura, há três pilares que sustentam o ofício de quem se dedica à alma humana.
O primeiro pilar é o saber técnico e a constante atualização.
A psicologia é um campo que pulsa e se renova. O bom psicólogo estuda, questiona, revisita autores e se abre ao novo, sem perder o rigor do método. O conhecimento é o solo firme sobre o qual floresce o acolhimento verdadeiro.
Minha trajetória também se ergue sobre esse compromisso com o saber.
Iniciei com as abordagens psicodinâmicas, mergulhando nas profundezas da arte-terapia e da psicologia simbólica junguiana, onde aprendi a escutar o inconsciente através das imagens e símbolos. Mais tarde, encontrei no EMDR uma ferramenta poderosa para a liberação de traumas e memórias dolorosas, um verdadeiro coroamento da eficácia clínica.
Hoje, sigo integrada às terapias da terceira onda da TCC, às abordagens contextuais e à Terapia dos Esquemas, unindo técnica e humanidade em um caminho que continua a se expandir.
A prática também se aprofundou com a antropologia da mulher, que me revelou a alma feminina em suas camadas de história, cultura e ancestralidade , uma sabedoria que habita o corpo e o tempo.
A filosofia, por sua vez, me convida a pensar o humano com delicadeza e lucidez, a buscar sentido mesmo nas entrelinhas da dor humana no contexto contemporâneo.
Essas experiências se entrelaçam na escuta terapêutica, onde a psicologia se torna encontro: presença sem julgamento, silêncio que acolhe, palavra que toca e desperta.
✨️ O segundo pilar é a própria terapia ✨️
Cuidar de si é condição para cuidar do outro. Manter a própria análise em dia é um ato de humildade e responsabilidade. É reconhecer que nossas feridas não podem se misturar às dores do paciente e que o autoconhecimento é a mais silenciosa das éticas.
✨️ O terceiro pilar é a supervisão clínica
Na supervisão, o psicólogo não está só. É o espaço onde a prática ganha olhar, respiro e reflexão. Onde as dúvidas se transformam em aprendizado e a solidão do consultório encontra diálogo e direção. Supervisionar é um gesto de amor pelo próprio trabalho é reconhecer que o saber se constrói em companhia, no espelho de outros olhares.
Assim, o psicólogo se mantém inteiro: técnico, humano e ético.
Porque para sustentar o outro, é preciso antes sustentar-se com estudo, com terapia, e com a sabedoria humilde de quem sabe que o caminho do cuidar nunca se percorre sozinho.
Reviane Teixeira Ramos
Psicóloga CRP 06.66748

Muito bom o artigo! É fundamental que os psicólogos se preocupem com esses pilares, especialmente a empatia. Faz toda a diferença no atendimento.
Olá, Ana Lúcia! Agradecemos muito seu comentário. Ficamos felizes que o artigo ressoou com você. A empatia é, de fato, um pilar essencial para construir uma relação terapêutica sólida e acolhedora. Continue acompanhando nosso blog para mais insights!
Excelente reflexão sobre os pilares! Gostei muito da parte que fala sobre o autoconhecimento do profissional. Muitas vezes esquecemos que o psicólogo também é um ser humano e precisa cuidar da sua própria saúde mental para poder ajudar os outros de forma plena. É um tema crucial que deveria ser mais discutido.
Oi, MARCO_PSICO! Que ótimo que você trouxe essa perspectiva. Concordamos plenamente: o autoconhecimento e o cuidado com a saúde mental do profissional são tão importantes quanto o conhecimento técnico. É a base para uma prática ética e eficaz. Sua observação é muito pertinente! O que mais você gostaria de ver abordado sobre esse tema?
Como estudante de psicologia, achei este artigo extremamente relevante e esclarecedor. A forma como os três pilares – conhecimento técnico, empatia e autoconhecimento – são interligados e apresentados mostra a complexidade e a beleza da profissão. É um lembrete poderoso de que a formação vai muito além da teoria, exigindo uma constante autoavaliação e desenvolvimento pessoal. A parte sobre a importância do psicólogo fazer sua própria terapia me marcou bastante, pois reforça a ideia de que somos instrumentos de trabalho e precisamos estar “afinados”. Parabéns pelo conteúdo!
Prezada Sofia Mendes, ficamos imensamente felizes em saber que o artigo foi tão útil e inspirador para você, especialmente como futura profissional da área! Sua percepção sobre a interligação dos pilares e a necessidade de constante desenvolvimento pessoal e autoavaliação é exatamente o que buscamos transmitir. A metáfora de “instrumentos afinados” é perfeita para ilustrar a importância do autocuidado do psicólogo. Desejamos muito sucesso em sua jornada acadêmica e profissional! Há algum outro tópico que você gostaria de explorar mais a fundo em nossos próximos artigos?